Aprender dois idiomas ao mesmo tempo dá certo?
Dá — com uma ressalva importante sobre quais dois, e em que níveis. A escolha errada de par dobra o esforço.
Dá — com uma ressalva importante sobre quais dois, e em que níveis. A escolha errada de par dobra o esforço.
A vontade é comum: já que estou estudando inglês, por que não emendar o espanhol? A resposta curta é que funciona, mas depende de duas variáveis que quase ninguém considera antes de começar.
Idiomas próximos se ajudam e se atrapalham ao mesmo tempo. Espanhol e italiano compartilham tanta estrutura com o português que o começo é rápido — e é exatamente por isso que eles se misturam. Você acaba produzindo um híbrido, com palavra de um e estrutura do outro.
Um par distante, como inglês e japonês, causa menos interferência: não há como confundir. O custo é que nenhum dos dois adianta o outro.
Na prática, o pior par para um brasileiro começar do zero simultaneamente é espanhol e italiano. Inglês com qualquer latino costuma conviver bem.
Esta é a mais importante. Dois idiomas em nível iniciante ao mesmo tempo é quase sempre um erro: os dois estão frágeis, os dois exigem esforço consciente, e eles competem pelo mesmo espaço.
Agora, um idioma em nível intermediário e outro começando funciona bem. O primeiro já roda com pouco esforço e vira manutenção; o segundo recebe a energia de aprendizado.
Vale perguntar por que você quer os dois agora. Muitas vezes o segundo idioma aparece como fuga do primeiro, justo no ponto em que ele ficou difícil. Se for o caso, o problema não se resolve adicionando — se resolve mudando o formato do que já está em curso.
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