Sotaque não é problema. Ritmo é.
Ninguém precisa soar americano. Mas quem coloca o peso nas sílabas erradas fica difícil de entender mesmo falando tudo certo.
Ninguém precisa soar americano. Mas quem coloca o peso nas sílabas erradas fica difícil de entender mesmo falando tudo certo.
Existe uma obsessão inútil com “perder o sotaque”. Sotaque é identidade, e falantes de inglês do mundo inteiro se entendem carregando os seus. O que atrapalha a compreensão é outra coisa, e ela quase nunca é tratada: o ritmo.
O português brasileiro distribui as sílabas de forma relativamente regular — cada uma leva mais ou menos o mesmo tempo. O inglês funciona por acentos: as sílabas fortes marcam o compasso em intervalos parecidos, e tudo que está entre elas é comprimido para caber.
Por isso I would have gone if I had known não sai como nove blocos iguais. Sai como dois picos e um monte de material espremido no meio.
Quando você pronuncia cada sílaba com o mesmo peso, o ouvinte perde as pistas que usa para separar palavras e identificar o que é importante na frase. O resultado é curioso: uma pessoa com pronúncia individual quase perfeita pode ser mais difícil de entender do que outra com sotaque forte e ritmo correto.
Pegue trinta segundos de alguém falando e imite junto, por cima, tentando acompanhar o ritmo mesmo que erre os sons. É estranho, é chato nos primeiros dias, e é de longe o exercício com melhor retorno para pronúncia.
Ninguém vai reparar no seu sotaque se o ritmo estiver certo. Todo mundo repara quando não está.
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