Seu filho não precisa saber ler para começar inglês
A alfabetização em português e o inglês falado são trilhas independentes. Esperar uma para começar a outra desperdiça a melhor janela.
A alfabetização em português e o inglês falado são trilhas independentes. Esperar uma para começar a outra desperdiça a melhor janela.
“Ele ainda não lê direito em português, melhor esperar.” É a frase mais comum de pai que pensa em colocar o filho no inglês cedo — e ela parte de uma premissa que não se sustenta.
Toda criança aprende a falar antes de aprender a ler, na língua materna e em qualquer outra. Ouvir, imitar e responder não dependem de decodificar letra. Uma criança de seis anos consegue sustentar uma conversa simples em inglês sem reconhecer uma única palavra escrita.
O que ela precisa é de som suficiente e de motivo para responder. Escrita entra depois, e entra mais fácil justamente porque o som já está lá.
Crianças pequenas discriminam sons que adultos já perderam a capacidade de separar. Elas absorvem entonação e ritmo por imitação, sem análise. E — talvez o mais importante — ainda não construíram a vergonha de errar na frente dos outros, que é o principal freio do adulto.
Se a leitura não está disponível, tudo precisa acontecer por voz e imagem:
Não espere seu filho conversando fluentemente em três meses. Espere que ele responda a perguntas simples, reconheça dezenas de palavras de ouvido e não estranhe o som do idioma. Isso é uma base enorme para quando a escrita chegar — e é o que a escola vai ter dificuldade de dar depois.
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